domingo, 17 de maio de 2009

Just do it?


É no mínimo curioso como marcas e slogans deixam-se subjetivamente subversivos para serem levadas pelo vento. O slogan 'just do it', um tanto quanto pragmático, é nulo de nexo mesmo estampado em um pano de alta qualidade. Aos olhos dos leitores, a terceira reação semiótica de um primeiro estágio seria "just do o quê?". Seria a marca propagando um neo-hedonismo, um pró-nihilismo mal-cabido ou até mesmo um carpe diem absurdamente distorcido tanto quanto pretensioso? Ou estaria ela própria convencida do argumento generalizador das nossas novas gerações? Aquele do "ninguém quer nada com nada"?
Voando o slogan por alguma avenida enfumaçada, enfiando-se por algum vão de porta ou mesmo se enroscando na roda spitfire de um pequeno esportista gringo, faz-se o complemento do slogan. No entanto, pondero a morbidez da sentença se contemplada por suicidas, alcoólatras, assassinos, estupradores ou ditadores.
Aos olhos de um depressivo suicida o slogan poderia traduzir-se por 'se mata logo vai...'. Se lida por um alcoólatra o significado se transmutaria para 'bebe..só mais uma dose de 51', [passo o pensamento do estuprador, pois seria por demais molestar nossa imaginação imagética] mas para Fidel, mera frase publicitária de um macrocosmo capitalista significaria "matemos todos que não nos apóiam" (ou talvez "me dá mais um charuto havana aí").
É claro que daí já seria demasiada mirabolação da minha parte. Mas, se o slogan têm como função resumir toda ideologia da marca a ser exaurida por repetição, então me questiono o porque do "just do it".
A grande senhora Nike, a mais poderosa de todas as fabricantes de tênis desse globo que não é completamente redondo, ficou desta vez em cima do muro. E só não ficou por inteira pois ainda existem aqueles que fazem filantropia, os que acolhem slogans que moram nas ruas para contextualizá-los em algum outro lugar que não uma camiseta de duzentos reais.

Um comentário:

Daniel Serrano disse...

de fato, o slogan oscilaria entre o "se mata" e o "se meta", a depender se está-se a tratar de suicida ou mesmo bicha.