domingo, 21 de dezembro de 2008

O Irascível


Ludwig Van Beethoven,
O da quinta mais famosa
Sinfonia, não dia da semana.
O da nona mais famosa,
Claro que sinfonia;
Não existe nona-feira.
O das sonatas mais perfeitas
(Isto é indiscutível)
O de atitude irascível
(O quanto? Indizível).
O seguidor de Mozart,
Que depois se desprendeu.
O de Fur Elise,
Não da música do gás!
O criador de Apassionata,
Modelo de busto de estátua.
O baixinho descabelado
De carranca fechada,
Se sentia amor não dizia,
A mão sempre esperta,
A boca sempre calada.
O de religião nobre
O de religião triste,
O de religião de artesão,
Daqueles que se dedica
Inteiramente, devoto,
A todo seu trabalho,
A todo seu ofício,
A toda sua paixão.
O de religião que não;
Poderia ser outra senão;
Como a de todos os gênios,
Como a de Nietzsche e de Platão
Como a de Wagner e Da Vinci:
A de empenho sem limite;
Nome: Voluntária Solidão.
O compositor da Eroica,
O compositor do Egmont,
O admirador de Goethe,
O filho prodigioso de Bonn.
Dele não se ouve as notas
Tende-se a devorá-las;
Sem ao menos perceber.
Tende-se ao Ser ouvinte
O Obscuro, O Taciturno,
O Noturno e O Diurno,
Tende-se ao tudo.
A toda aquela profundeza,
Inexprimível em palavra,
Absoluta em incerteza.
Leva-me todo para outro lugar
Enche-me de euforia e amor,
Entope-me de rubro fulgor,
Divide-me entre força e fraqueza.
Joga-me no abismo gutural:
De todo aquele sonho de ontem,
De toda emancipação da alma,
De todo desejo carnal,
De todas figuras pintadas em telas,
De todas aquelas aquarelas com musas brancas,
Carrega-me do leito do tangível-real
Ao alucinógeno do Beethoviano,
Uma montanha-russa sem fim
Sem ano, nem data de vencimento,
O irascível produziu o não vendável
Tudo aquilo que só se pode amar,
Tudo aquilo, apenas, que se admira,
Tudo aquilo que se respira
Em uma manhã fria de puro ar.
Dele veio tudo isso e algo além,
Todo esse devaneio e escapismo sagaz,
Ludwig, O Irascível,
Menino triste, filho de capataz,
Deixou de amar para produzir,
E de tanto, e de tanto em tanto
Transcendeu.
Para onde eu não sei,
Sei que tende ao infinito,
Como aqueles complicados
Cálculos de Física.
Como o amor de mãe para filho,
Ouso dizer que ele ousou
E ousou tanto, como cristão que era,
Sustentar-se senão em tudo, em Deus.
Na prática incansável,
Na magia do instinto nato,
Dizia-se tradutor das palavras do Senhor.
E se ele existe, eu não duvidaria,
Pois ainda estou para ouvir
Em algum dia de minha vida,
Algo que supere esta música
Devastadora, que leva tudo
Até aquilo que não se quer,
Até os raciocínios necessários.
Envolve tudo, em profusão de cores,
Engole roupas, cachecóis e blusas,
Destrói tudo que parece ter valor,
Faz aquela roupa cara, de tecido lindo,
Perder todo glamour.
Faz aquela seda, todo aquele ouro,
Faz tudo desaparecer.
Até a camisola de veludo,
Até o sapato de couro de cobra,
Ela sobrepuja tudo...
De dinheiro à menina florida,
De carro à formosa cadela,
E temo dizer, mas afirmo dizer:
É a musa seqüestradora
Do todo poderoso Ludwig Van,
É a música bandida do meu herói,
Do todo eternizado compositor,
Como já disse é inexprimível
Em palavras ou denotações,
Juro, de todo coração!
Então paro por aqui,
Antes que o leitor enlouqueça,
Antes que pire a minha e a sua cabeça,
Feliz Ano Novo e tudo de Bonn.

O Triunfo da Vontade


Sempre camuflado pela bandeira de liberdade, direitos igualitários e facilitação das relações entre nações, o conceito de globalização vem instalar-se como um pretexto para a hegemonia e reafirmação do status-quo. Mais que isso, vem ameaçar a soberania de outros países com a pérfida desculpa de livre comércio, universalização dos conceitos e, ainda, de fiscalização e combate ao terrorismo internacional e à produção de armas de destruição em massa.
O que facilmente se observa a respeito da onda de eufemismos descarados dos países privilegiados pelas livres fronteiras é que os únicos aspectos verdadeiramente universalizados dizem respeito aos interesses do mais forte, assim como à sua cultura, ideologia e a seus produtos.
Os EUA, em não se importando devidamente com problemas que não só permeiam, mas fazem do continente africano o mais miserável do mundo, como a extrema pobreza, fome e proliferação de doenças, acabam por contradizer e, conseqüentemente, invalidar tal conceito de universalização. Por outro lado, se a África fosse grande fonte de lucro para os norte-americanos, quem sabe eles não se comoveriam, por exemplo, com a tão flagelada e subnutrida nação da Eritréia. Em outras palavras, o ocidente só compartilha, ou melhor, “universaliza” o que é de interesse lucrativo, hegemônico e o que há de pior: crises econômicas, caprichos desmedidos e poluição ambiental (como num grande paradoxo em que as grandes e poderosas nações socializam os problemas e monopolizam os benefícios).
A cada dia que passa, usufrui-se mais do ideal aristotélico de escravidão (claro que de uma maneira não explícita, mas propositalmente metamórfica), o que automaticamente nos afasta do ideal epicurista dos direitos humanos, da ética fundamentada na igualdade do homem perante seu “estatuto nato” de livre-arbítrio, sem delongas usurpadas por questões bélicas, territoriais ou metafísicas.
Willberforce fez nada mais que representar o ideal de universalização dos direitos em seu modo primário e verdadeiro, ramificado na pura filosofia dos direitos humanos consubstanciais. Pôs em prática a antes utopia dos escravizados ao inferir uma lei de liberdade a todos os homens (mesmo que ainda descriminados). Em um empirismo revolucionário, constatou que idéias podem virar fatos.
Certamente, essa essência de valores de alma superior existe e transcende rótulos por cor, credo ou etnia. No entanto, ela está perdida em um mar de interesses ou na pura retórica, como no Zaratustra de Nietzsche; interesses esses que sobrepujam a nobreza de espírito do ser humano, fatores de cunho material que nós, impregnados pela cultura do “ter”, cultivamos, ao invés de afastarmos.
Temos sorte por, em intervalos de séculos, surgirem personalidades destoantes que, na superfície de nossas banalidades egoísticas, acordam-nos para o que acontece lá fora. Assim fez Willberforce e seus companheiros de luta, Joana D’Arc. e até mesmo William Wallace.
Uma vez que somos números com dólares no bolso e não mais seres de carne e osso, estamos sujeitos a uma inércia coagida por fatalidades. Já não somos vistos como unidades singulares, mas como grupos ou tribos que tendem a comprar este ou aquele produto. Tornamo-nos, portanto, bonecos de ventríloquo (regidos pela compra), voláteis, à mercê de qualquer crise econômica.
Sobre essa ótica mercantilista, somos envoltos em marasmo cômodo e cego que não contesta; que vê, mas não enxerga; que escuta, mas não ouve.
Em suma, a escolha é dicotomicamente simples: optamos por fazer alguma diferença, ainda que inseridos neste niilismo da sociedade pós-moderna (e até mesmo em mínimas atitudes diplomáticas, pois a luta não é só armada), ou então, como que num dejà-vu do calvário de nosso famoso Senhor cristão, lavamos a mão como Pilatos, a esperar, comodamente, aquele herói de alma nobre que nos irá tirar da caverna de Platão.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Roubaram minha carteira.


Roubaram minha carteira.
Com cpf, Rg, de fato ela inteira.
E Não tinha nem uma pedra no caminho,
Nem no meu nem do bandido
Quisera eu que tivesse
Porém fica comigo todo estresse
Só fico puto que pedra não tinha
Que pedra só tem em poema,
De forma metafórica
Mas na vida real,do povo,
Seja Evangélica ou Católica,
Levam-te o dinheiro e a fé
De forma ligeira, esperta,
Bem menos eufórica.
Bandido não é ele que só usa boné
Conheço alguns que pregam
Sobre Jesus, Maria e José...
E estes não te roubam a carteira,
Roubam material e muito mais
Lhe tiram a consciência,
Deixam-lhe cegos, submissos e banais,
Este sim é bandido de verdade!
Os que pedem trinta
E conseguem cem reais!
Quanto ao primeiro bandido
E a minha carteira preta,
Tenho até dó,
Pois nada se faz
Com doze reais e cancelado documento
Fico mesmo preocupado com o segundo,
Que além de lhe roubar sem perceber
Estupra o tão sagrado sacramento.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

sábado, 6 de dezembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008


J: I don't know what to do. Anyway, if I had this part I'd be right back on top again. But this big shot from Hollywood, he won't give it to me.
G: What his name?
J: Waltz. There's no chance. He will not give me the part. Oh, godfather, what can I do? What can I do?
G: Maybe act like a man! Is this how you turn into a Hollywood finocchio? Crying like a woman? What can I do?! What can I do?! You spend some time with you family?
J: Sure, I do.
G: Good...because a man who doesn't spend time with his family could never be a real man. You look terrible, I want you to eat , rest and in a month this big shot will give you the part.
J: There's no time. They start shooting in a week.
G: Oh...I'll make him an offert he can't refuse. Just go out there and enjoy yourself. I want you to leave it all to me.
J: All right.

Pela toca do coelho

Queria eu ter caído naquele buraco. Mesmo que fosse de cabeça para baixo, mesmo que ao final fosse só cochilo. Ainda assim queria estar presente, no momento em que Alice toma chá de desaniversário, e o coelho de relógio, sempre retardatário, sai às pressas afobado. Queria eu ter entrado na floresta para ouvir estórias de gêmeos obesos. Aberrações, cá do nosso mundo "REAL? ----- LÚCIDO?-----COESO?" Queria eu ter adentrado o labirinto e encontrado um gato listrado de olho gigante, que cheio de metáforas e charadas levaria-me para um de dois lados errantes. Queria eu ter trocado idéia não com humano, mas com ser fumante, de mais de uma perna, com mística-filosófica centopéia. Queria eu ter visto pão de forma virar borboleta, a rosa, o girassol e o lírio brigar com a azaléia. Queria eu ter presenciado morsa gigante, mal intencionada, convencer jovens ostras de que era amigo, e, em apenas minuto fazê-las todas, coitadas, estar abaixo de banha à altura do umbigo. Queria eu estar lá. Talvez no bolso de Alice. Sem precisar de permissão nem crachá. Queria eu abdicar da burocracia, e, pela toca do coelho, vivenciar somente pura-poética/lúdica fantasia. Queria simplesmente este... peculiar escapismo. Se real ou imaginário, não importa. Tudo o que eu queria, e quero mais do que devia, era entrar por esta porta.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Caoslorido


Cores à caralhadas
Aquele Kandinsky,
Com candências coloridas,
Conseguia concretizar.
Diz que calado deve-se contemplar as colorações.
Caro colega, como Kandinsky não sou
Sobra só o caos do colorido...
Sem geometria contextual.
Aqui é só consciência no caderno,
Sem cólera de Pollock,
Sem coleira de escola,
Sem corrente artística,
Só comum caldeira de cor
Quem quiser que sinta...
Sossego, desprezo, cegueira ou calor.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


Penicoarte

Tristan disse que penico é arte
Penico é arte, penicoarte singular
Tão única de várias visões
Vista de óculos de mosca
Moscarte, arte de neologismo
Neoarte de artesão de penico
Molda o vaso sem quebrar,
Para fim não menos artístico.

Penicoarte


Reflexão

Roxear o que de roxo não se exprime no vazio
Esvaziar o branco de tudo que roxo não é
De tudo que não é cor, tornar-se-á cheio
Ao fitarmos o cromo do azul com o vermelho?


Reflete-se da cor toda negação
Da afirmação consiste sua não existência
Talvez por pura ilusão involuntária
Punhetemos nossa visão por insistência?


Dividem-se por partes, por ângulos se diferem
Pois foda-se a física que com lógica
Destrói o êxtase da magia
...que por instinto nos pertence?


Decisão dicotômica, maniqueísta-momento
Quer-se elucidações em meio ao gozo
Ou o simples gozar do livre e puro pensamento?

Whisper

Do you like sweating by the sea shore?
I'd rather just see the sun
Or came back home for a soup
Taken under the stairs
No sand to ignore you
Soap operas are more comfortable
Then just person swealling liquid
Selling cars is a lot easier
Then telling you this only by whispers
Could you say a word now
Just to fill this poem's loneliness?
Cause sentences like this
No mater what they seek
Does not cheat on our conciouness
Ok, I must sadly agree ...
What was that all about the sea?
When a priest has a lot to say
He loves to talk about sinners
Thoughts like this come and go
It's up to you
Instead of hearing, only listening
This was not thought by a priest
Not at all
Not even by someone
This was just the leeves passing by
Floating by the windows
Getting to yours ears
Getting to the ears of everyone.

Whisper


O Partido do cara de cabelo repartido

Um cara aí, austríaco
De cabelo repartido
Com certeza peça rara,
Inventou um tal partido
Abençoou
Genocida e bandido
Filósofo e médico
Cientista e amigo


Peça rara que era
Adorava uma retórica
Exauria-se em pranto
Sobre aquele ou esse
Ariano e ariano
Gesto forte exagerado
Suava em sua glória
No prazer destrutivo
De uma mente sem memória


Queria mundo loiro
Alto, branco, de íris azul
Odiava
Judeu, cigano, viado
E principalmente negro zulu
Adorava
Pastor alemão
Raça pura e pêlo branco,
Preferia animal a ser humano


Conquistar o mundo era meta
Contava com a ajuda
De um gordo egocêntrico,
Um lunático fiel,
Um careca míope
E um falso poeta


Mas aí tudo melou,
Em sua megalomania,
Achando que tudo podia
Invadiu tudo e um pouco mais
Mais do que devia,
Perdeu batalha importante
E de tanta teimosia
Morreu literalmente na praia
Se lascou na Normandia


Aí, suposto reino de mil anos
Estartou a sucumbir
E o cara já velho,
Menos homem, mais zumbi
Já não estava nem aí
Nem pra cabo nem tenente
Nem sargento ou dirigente


Depois de tanta balburdia
Chegaram os caras de marrom
Com carabina, baioneta
E uma vodka na mão
Atirando e estuprando
Sem dó e nem perdão
Todas as loirinhas virgens da nação


Então o cara estranho,
Aquele do cabelo repartido
Optou por um tiro no ouvido
Foi-se desse mundo casado
Queimado
O ariano de olho não tão claro
De pêlos escuros
E provavelmente viado.

O Partido do cara de cabelo repartido