Um cara aí, austríaco
De cabelo repartido
Com certeza peça rara,
Inventou um tal partido
Abençoou
Genocida e bandido
Filósofo e médico
Cientista e amigo
Peça rara que era
Adorava uma retórica
Exauria-se em pranto
Sobre aquele ou esse
Ariano e ariano
Gesto forte exagerado
Suava em sua glória
No prazer destrutivo
De uma mente sem memória
Queria mundo loiro
Alto, branco, de íris azul
Odiava
Judeu, cigano, viado
E principalmente negro zulu
Adorava
Pastor alemão
Raça pura e pêlo branco,
Preferia animal a ser humano
Conquistar o mundo era meta
Contava com a ajuda
De um gordo egocêntrico,
Um lunático fiel,
Um careca míope
E um falso poeta
Mas aí tudo melou,
Em sua megalomania,
Achando que tudo podia
Invadiu tudo e um pouco mais
Mais do que devia,
Perdeu batalha importante
E de tanta teimosia
Morreu literalmente na praia
Se lascou na Normandia
Aí, suposto reino de mil anos
Estartou a sucumbir
E o cara já velho,
Menos homem, mais zumbi
Já não estava nem aí
Nem pra cabo nem tenente
Nem sargento ou dirigente
Depois de tanta balburdia
Chegaram os caras de marrom
Com carabina, baioneta
E uma vodka na mão
Atirando e estuprando
Sem dó e nem perdão
Todas as loirinhas virgens da nação
Então o cara estranho,
Aquele do cabelo repartido
Optou por um tiro no ouvido
Foi-se desse mundo casado
Queimado
O ariano de olho não tão claro
De pêlos escuros
E provavelmente viado.
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