quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pela toca do coelho

Queria eu ter caído naquele buraco. Mesmo que fosse de cabeça para baixo, mesmo que ao final fosse só cochilo. Ainda assim queria estar presente, no momento em que Alice toma chá de desaniversário, e o coelho de relógio, sempre retardatário, sai às pressas afobado. Queria eu ter entrado na floresta para ouvir estórias de gêmeos obesos. Aberrações, cá do nosso mundo "REAL? ----- LÚCIDO?-----COESO?" Queria eu ter adentrado o labirinto e encontrado um gato listrado de olho gigante, que cheio de metáforas e charadas levaria-me para um de dois lados errantes. Queria eu ter trocado idéia não com humano, mas com ser fumante, de mais de uma perna, com mística-filosófica centopéia. Queria eu ter visto pão de forma virar borboleta, a rosa, o girassol e o lírio brigar com a azaléia. Queria eu ter presenciado morsa gigante, mal intencionada, convencer jovens ostras de que era amigo, e, em apenas minuto fazê-las todas, coitadas, estar abaixo de banha à altura do umbigo. Queria eu estar lá. Talvez no bolso de Alice. Sem precisar de permissão nem crachá. Queria eu abdicar da burocracia, e, pela toca do coelho, vivenciar somente pura-poética/lúdica fantasia. Queria simplesmente este... peculiar escapismo. Se real ou imaginário, não importa. Tudo o que eu queria, e quero mais do que devia, era entrar por esta porta.

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